Biolandes

Produtor de óleos essenciais e de extractos naturais

Os musgos da Macedónia em Lozère

Os musgos da Macedónia em Lozère

Os Musgos, óleos essenciais para a perfumaria

Enquanto o perfumista prefere falar de “musgos”, o botânico irá preferir falar de líquenes. São, na verdade, os extractos dessas pequenas e discretas plantas que formam a grande família dos musgos em perfumaria.
A sua extracção é feita desde o século XV para perfumar luvas e interiores de armários. Mas é essencialmente com a perfumaria moderna, em especial nos "accords fougère", mas também nos "accords chypre", que foram iniciados pelo famoso Chypre criado por François Coty em 1917, que o musgo adquire a sua importância nobre. Transforma-se num aroma incontornável das "bases chypre" e um complemento indispensável nomeadamente das notas amadeiradas masculinas.
Estes líquenes têm uma forte presença em toda a bacia mediterrânica e nos Balcãs. No século XX, a colheita atinge o seu apogeu com vários milhares de toneladas. Os industriais elaboram, então, uma extensa gama de extractos que vai dos concretos às resinóides, das absolutas às destilações moleculares, adaptada a aplicações muito variadas.
Desde 1991, a IFRA (A International Fragrance Association) recomenda a restrição do uso destes extractos devido à presença de ingredientes potencialmente alergénicos. Em 20 anos, o consumo caiu drasticamente, deixando ao perfumista apenas algumas pálidas alternativas sintéticas.

Desde 1988, a Biolandes tem vindo a extrair musgos nas suas fábricas, inicialmente em França e, depois, em Marrocos e na Bulgária. Graças ao trabalho dos seus pesquisadores, a Biolandes fabrica actualmente uma vasta gama de produtos, adaptados às recomendações da IFRA, puros e naturais, para continuar a oferecer esses extractos de excepção aos perfumistas.
É uma viagem ao universo dos musgos que lhe propomos, à descoberta das terras e dos homens que perpetuam uma tradição actualmente ameaçada.

Líquenes para a Perfumaria

Quando falamos habitualmente de musgo, o termo não está correcto pois trata-se efectivamente de líquenes, associação discreta entre um cogumelo e uma alga. Estas pequenas plantas fixam-se à casca das árvores que as acolhem.

Dois líquenes

Em perfumaria são frequentemente utilizados dois líquenes: Evernia prunastri, designado de "musgo de carvalho", que é colhido nos troncos dos jovens carvalhos, na Macedónia; e Evernia furfuracea, designado de "musgo de árvore" que se agarra aos ramos dos pinheiros silvestres e são colhidos principalmente nas terras altas de Lozère.

Paisagens de montanhas preservadas, em França, la Lozère...

Invernos rigorosos, Primaveras húmidas, Verões quentes, altitude e, especialmente, um ar muito puro, são as condições necessárias para o desenvolvimento dos líquenes.
São estas condições ideais que se podem encontrar em Lozère, mais precisamente em Margeride, onde as montanhas cobertas de florestas de pinheiros silvestres atingem 900 a 1400 m. É o local de predilecção dos musgos das árvores.

... E na Macedonia

Na Macedónia ocidental, na região de Samokov, encontramos vastas extensões montanhosas que expõem os seus flancos à humidade do Adriático e ao sol do Mediterrâneo. É a terra propícia para os carvalhos cujos ramos se cobrem de musgo a que chamamos também de "musgo jugoslavo".

Homens e mulheres reunidos para a colheita. Em Lozère ...

Ele chama-se José, ela Maria. Nasceram em Portugal mas o destino fez com que fossem para Lozère. É sábado de manhã, "o dia do musgo" pois durante a semana trabalham na fábrica. É preciso começar de madrugada pois o dia será longo.

... Na Macedonia

A alguns milhares de quilómetros de Lozère, na mesma altura, Dragan já está a trabalhar com a sua família.
Um objectivo comum: apanhar o máximo possível de musgos.

Duas técnicas diferentes: Em Lozère, líquenes e um pouco de madeira

Em Lozère, a Evernia furfuracea fixa-se aos ramos dos pinheiros silvestres mortos. Verdadeiro acrobata, José sobe à árvore e, com a ajuda da sua foice, faz cair os ramos cobertos de líquenes. No chão, Maria recolhe o tesouro. Os dois irão precisar de um longo dia de trabalho para recolher 400 kg desta preciosa carga, composta por líquenes e pequenos ramos à mistura.

Na Macedónia, líquenes, apenas líquenes

Na Macedónia, Dragan e a sua família já iniciaram a colheita há duas horas. A Evernia prunastri pulula nos troncos e nos ramos dos carvalhos. É necessário subir às árvores, raspar os troncos, retirar a casca dos ramos para recolher o precioso líquen. Se por azar cair alguma madeira ou casca, é necessário proceder imediatamente à triagem para não alterar a qualidade do musgo de carvalho. No final do dia, os melhores conseguirão trazer 10 kg de musgo limpo.

A recolha

O dia está a chegar ao fim, são horas de regressar. Os apanhadores reúnem-se e comparam as colheitas, desfrutando de um momento de descanso.

A caminho en direcção ao centro de recolha

É neste momento que entra em cena o colector, intermediário indispensável no comércio do musgo. Percorre as diversas aldeias, vai de ponto de recolha em ponto de recolha, com o seu camião, buscar os sacos do trabalho de vários dias. É ele que controla a qualidade, que faz os pagamentos e que impõe o ritmo da colheita em função das encomendas das fábricas de extracção.

A prensagem artesanal. Na Macedonia ...

É no centro de recolha que o líquen em fardos será prensado para que o volume, durante o transporte para as fábricas de extracção, seja reduzido e optimizado. Uma etapa suplementar mas indispensável, ainda feita de forma muito artesanal na Macedónia.

... Na Lozère

O método é tão artesanal na Lozère como em casa dos Cellier, onde a profissão da prensagem é transmitida de pai para filho.

Do líquene a extracção

A caminho das fábricas de extracção...

Primeira etapa da extracção, a hidrólise da planta

Na fábrica, os homens desfazem os fardos de musgos para os introduzirem no extractor. O musgo é, em seguida, molhado e aquecido a vapor. Chama-se a este processo a hidrólise, etapa indispensável, que faz gerar as moléculas odoríferas fortes e tenazes, características dos extractos de musgo.

Uma extracção dia e noite

Os extractores estão cheios de musgo húmido. Pode dar-se início à extracção que irá durar uma dezena de horas, durante as quais os líquenes irão libertar as suas complexas substâncias.

Um grande número de procedimentos para uma multitude de produtos

A partir do concreto de musgo que é o extracto primário, tem sido desenvolvido um grande número de derivados ao longo do tempo para usos específicos.
Entre eles, os tradicionais absolutos, obtidos por meio de uma extracção a quente, libertam notas de madeira húmida com facetas fumadas, ou ainda os absolutos chamados de musgo silvestre, processados a frio, que possuem um odor fresco e a mar.

Um contexto regulamentar cada vez mas estrito

Os musgos vão desaparecendo, pouco a pouco, da palete dos perfumistas. E isto deve-se a quê? Deve-se a alguns componentes naturalmente presentes nos líquenes que provocam reacções alérgicas a algumas pessoas mais sensíveis.
Em 30 anos, a recolha de líquenes desceu para um quinto.

Os irredutíveis do musgo

Graças ao trabalho das suas equipas de pesquisa, a Biolandes desenvolveu procedimentos inovadores que reduzem as concentrações das moléculas alergénicas a apenas alguns vestígios sem alterar as propriedades olfactivas dos musgos.
Esta gama de extractos puros e naturais está em conformidade com as recomendações da IFRA.

E amanhã...

A regulamentação poderá tornar-se mais estrita e obrigar a uma nova redução do uso destes extractos indispensáveis. Mantenhamos a esperança e tenhamos fé no legislador para que tome medidas razoáveis que não penalizarão demasiado os apanhadores, perfumistas e consumidores.

O musgo na perfumaria : a planta, origens e colheitas

A PLANTA
Existem duas espécies de líquenes utilizadas com especial relevância na perfumaria:
Evernia prunastri que se desenvolve nos carvalhos jovens: é o musgo do carvalho que é apanhado tradicionalmente na Macedónia mas também em Marrocos.
Evernia furfuracea que cresce nos pinheiros silvestres na Lozère, e a que chamamos musgo das árvores. Também podemos encontrar este líquen nos ramos dos cedros do Atlas em Marrocos. A este chamamos, então, musgo do cedro.
Os recursos são superabundantes e a exploração não afecta a biodiversidade. Estes líquenes não são considerados espécies ameaçadas. E a apanha dá trabalho a dezenas de pessoas que vivem em áreas rurais.

ORIGENS E COLHEITAS
Musgo do carvalho: é actualmente a espécie mais importante. Estima-se que a sua produção seja de cerca de 500 T na Macedónia. A produção quase não tem expressão em Marrocos.
Musgo das árvores: estima-se que a produção ascenda a cerca de 150 T por ano, mas a tendência mantém-se em baixa.
Musgo do cedro: não é colhido com regularidade. A sua utilização é mais marginal. Menos potente que o musgo da árvore, foi durante muito tempo utilizado como alternativa mais barata.

O musgo na perfumaria : rendimento e produtos, Biolandes

RENDIMENTO E PRODUTOS
São necessários cerca de 100 kg de líquenes para fabricar 1 kg de absoluto tradicional de musgo de carvalho ou de musgo das árvores. Os processamentos levados a cabo para limitar o conteúdo em alergénicos reduz ainda mais estes rendimentos. Estima-se que anualmente os extractos de musgos correspondam a cerca de 10 T de absoluto por ano.

BIOLANDES
Desde a sua origem, a Biolandes tem vindo a fabricar extractos de musgos:
Na Bulgária, na sua fábrica de Zimnitsa, produz os concretos de musgo do carvalho devido à sua proximidade com a Macedónia.
Em França, na sua fábrica de Valréas, produz os concretos de musgo das árvores.
Em Marrocos, na sua fábrica de El Kelaa, produz os concretos de musgo do cedro e do carvalho de Marrocos.
Todos os concretos são transformados em absoluto e outros derivados em Le Sen nas Landes (em França).