Biolandes

Produtor de óleos essenciais e de extractos naturais

O Cisto Ládano na Andaluzia

O Cisto Ládano na Andaluzia

O Cisto Ládano, planta mítica da perfumaria

Notável entre as outras espécies de ládanos, o Cistus ladaniferus é um arbusto presente em todo o perímetro mediterrânico, sendo utilizado há 3000 anos em perfumaria para obter a goma que é libertada na época de verão. A goma Labdanum possui um odor balsâmico e de âmbar de extraordinário poder que lhe vale um lugar de eleição nos "incensos" da Antiguidade, sendo conhecida como "Resina de Ládano".
Até aos anos 1920, a goma era obtida diretamente da planta para fazer bolas e pães. Originalmente, os pastores de Creta ou do Chipre colhiam-na penteando as cabras, cujo velo se enchia de goma ao percorrerem os campos de ládano. Mais tarde, começou-se a obter a goma batendo nos galhos com grandes ancinhos denominados "Ladanisterion", decorados com tiras de couro escovadas depois com uma faca.
A partir de 1920, as casas de Grasse começaram a produzir óleo essencial destilando o ládano de Estérel.
Atualmente, a goma é obtida fervendo os galhos sobretudo provenientes da região de Salamanca, em Espanha.

Após a guerra, a produção de goma viria a desenvolver-se amplamente, deslocando-se para o sul de Espanha e acompanhando as extensões de ládano ao longo de Portugal. Nos anos 1960, a goma era produzida na Extremadura espanhola e depois na zona ocidental da Andaluzia, onde existiam as maiores extensões de ládano da Europa. Dá-se início à exportação de feixes de ládano para Grasse, começando também uma atividade de produção de essência e de concreto na Andaluzia.
Desde 1988, a Biolandes está implantada no centro da província de Huelva e produz no próprio local extratos de ládano e de goma Labdanum.
Em 2013, instalou uma oficina automatizada para a produção de goma Labdanum.
Atualmente, a maior parte da produção mundial de derivados de ládano e de goma Labdanum provém da região de Andévalo.
Temos o prazer em convidá-lo(a) para descobrir a história única de uma planta e de um país excecionais que pessoas de caráter e de tradições escrevem hoje em dia.

autores das fotografias: Matthieu Sartre

O Ládano, dono das colinas de Andévalo

Na região oeste da Andaluzia, entre Sevilha e Portugal, as colinas de Andévalo estão cobertas por milhares de hectares de extensões selvagens de ládano, pontuadas por azinheiras seculares.
O ládano cobre todas as terras não cultivadas e nem o corte nem o fogo o impedem de voltar a crescer.
É a rainha das paisagens de Andévalo.

Puebla de Guzman, aldeia de tradições

Biolandes instalou-se nesta antiga aldeia de mineiros, anualmente caiada de branco, sendo o berço de uma cultura rica e de tradições fortes.
Uma terra de cavalos andaluzes e de “Pata Negra”, os suínos que, por se alimentarem de bolotas, fazem do Jamon Iberico o melhor dos presuntos.

A Romaria do mês de Abril

Todos os anos, no final de Abril, Puebla de Guzman celebra a Virgem de la Peña, e toda a aldeia sobe até à ermida em procissão.
Durante quatro dias, a população encontra-se para honrar a Virgem protectora e partilhar a paixão pelos cavalos e o gosto da festa.

Nossa Senhora de la Peña

À saída da igreja, o fervor de toda uma comunidade inteira está ao rubro para a celebração anual da Virgem.

O manto com flores de Cisto

Bordado nas vestes da Virgem, o cisto e a sua flor fazem parte do património da aldeia.
A seguir às lágrimas de emoção vão suceder durante toda a noite as danças e as canções tradicionais, os copos de aguardente e os desfiles dos cavaleiros.

As lágrimas do Cristo

Em Abril, os campos de cisto cobrem-se de delicadas e encantadoras flores brancas mas sem perfume. À semelhança das papoilas brancas, as flores são de uma seda efémera e duram apenas dois dias.
Desde sempre, chamam às manchas encarnadas carmim nas cinco pétalas da flor do cisto, as "lágrimas do Cristo".

Âmbar nas colinas

Após a floração, de Abril a Junho, os ramos de cisto rebentam novamente e o talo ganha uma cor encarnada graças à formação da goma.
Com o calor, o cheiro a âmbar do Ládano invade as colinas.

A goma sob o sol

Para se proteger do calor tórrido do Verão da Andaluzia, os caules e as folhas segregam uma goma que tem um cheiro envolvente e um dos mais intensos do mundo vegetal. Em Julho, os galhos cobertos desta goma viscosa estão prontos para serem cortados.

A colheita do cisto

Em Puebla de Guzman e nas aldeias circundantes, o cisto é colhido de Julho a Outubro para produzir a goma Ládano ou para valorizar os ramos através da destilação ou extracção. Depois do corte, os caules vão crescer de novo e em cada espaço livre vai brotar uma nova planta. O cisto retoma então os seus direitos e volta a hospedar coelhos e perdizes.

A foice do amanhecer ao meio-dia

Durante todo o Verão, do amanhecer ao meio-dia, equipas de apanhadores cortam os ramos com uma foice, fazem fardos e carregam os carros e carroças. Cortam apenas os ramos que cresceram nesse ano, a extremidade dos ramos tenra e carregada de goma. O trabalho é árduo e as suas roupas irão manter o cheiro do cisto até ao final da campanha.

Um assunto de famílias

Em Andévalo, o cisto é frequentemente um assunto das comunidades ciganas.
Nas aldeias, desde há algumas décadas, as famílias recolhem os fardos de manhã e transformam-nos em goma Ládano à tarde.
Os campos cortados serão novamente colonizados pelo cisto no ano seguinte e poderão ser novamente colhidos três anos mais tarde.

Os destiladores de goma

A tradição consistia em fabricar a goma Labdanum em pleno campo. Uma fogueira, feixes e alguns bidões assinalavam um posto de fabrico de goma.

Primeira etapa: ferver os galhos em água e sódio. Após a cozedura, um balde com ácido neutralizava a água, formando a goma em bruto. Com uma vara, era misturada para retirar a água e torná-la homogénea.

Os tempos mudam

Fogueira, sódio e ácido nos campos…
O processo é de outros tempos, mas providencia um rendimento sazonal e faz parte da sua história. Os destiladores de goma negoceiam com as autoridades, mas temem que seja inevitável a proibição desta atividade.
Cada vez mais, a goma é produzida em oficinas através de processos mais controlados.

Um desenvolvimento responsável

Consciente das fragilidades da produção tradicional de goma Labdanum, a Biolandes continua a sua integração no setor, criando a primeira oficina automatizada de fabrico de goma, que respeita mais as pessoas e o ambiente.

Biolandes Andaluzia em Puebla de Guzman

Desde que foi construída em 1988, a fábrica da Biolandes produz toda a gama de derivados de ládano e de goma.
Todos os anos, a equipa da Biolandes Andalucia organiza a colheita e a transformação de 3000 toneladas de feixes e valoriza orgulhosamente o resultado de 7000 dias de recolha.

Fonte de essência e de energia

Para obter a melhor qualidade de essência, o ládano entregue na fábrica é triturado e destilado continuamente durante 24 horas. Mais de uma tonelada de essência é produzida em cada verão, tendo uma grande parte a certificação BIO.
O ládano consumido é armazenado no local e serve de combustível para produzir todo o vapor da unidade.

Concretos e resinoides

A oficina de extração produz o concreto de ládano, que constitui a base do absoluto e de várias especialidades de perfumaria fina, sendo a dinamona a mais conhecida. A goma Labdanum produzida na fábrica é transformada em resinoides e em absoluto.
Os produtos da destilação ou da extração dos galhos têm a denominação "Ládano", ao passo que os produtos provenientes da goma são denominados "Labdanum".

Dia e noite

Durante a campanha do ládano, a fábrica opera dia e noite.
Às seis horas da manhã, quando a equipa da noite tiver acabado de filtrar a essência e feito escorrer o concreto, ao longe, por trás das colinas, os cortadores já terão pegado novamente na foice.

O Ládano na perfumaria

ORIGENS:
Os derivados do ládano provêm a 80% de Espanha, sobretudo da Andaluzia. Existem também produções limitadas em Marrocos, em Portugal e na Córsega. Os produtos provenientes do ládano de Estérel (França) tornaram-se esporádicos.

COLHEITA:
colheita global de ládano é de cerca de 10.000 toneladas de feixes por ano, sendo que entre 6000 e 7000 toneladas são transformadas em goma Labdanum.

PRODUÇÃO:
Calcula-se que a produção de goma Labdanum bruta se situe entre 300 e 350 toneladas, consoante os anos. A destilação de ládano produz cerca de 1,5 toneladas de óleo essencial e a extração entre 60 e 70 toneladas de concreto.

BIOLANDES:
A Biolandes Andalucia é o maior produtor de derivados de ládano. A unidade produz entre 40 e 50% da essência e do concreto do existente no mercado mundial.